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Bancadas de saúde e educação articulam para manter mínimo de recursos para as duas áreas

23/02/2021 16:04

Proposta de Emenda à Constituição que prorroga o auxílio emergencial em 2021 acaba com a exigência de gastos mínimos para saúde e educação em União, estados e municípios Foto: Divulgação


Desvinculação do Orçamento é defendida por presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL)


BRASÍLIA — As bancadas da saúde e da educação no Congresso vão se unir para tentar barrar a proposta que acaba com o mínimo constitucional de investimentos as duas áreas no Orçamento. A alteração é defendida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Como revelou o GLOBO, o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga o auxílio emergencial em 2021 também acaba com a exigência de gastos mínimos para saúde e educação em União, estados e municípios. O texto deve ser votado ainda nesta semana no Senado.

Arthur Lira:  ‘Legislativo tem de dizer onde, quanto e para que área vai o orçamento’

Atualmente, a Constituição determina que os estados devem destinar 12% de seus recursos para a saúde e 25% para a educação, enquanto, no Orçamento federal, os índices são de 15% e 18%, respectivamente. Em entrevista ao GLOBO, Lira defendeu "desvincular  o Orçamento".

Professora Dorinha Rezende (DEM-TO), presidente da frente parlamentar mista da educação, disse que a proposta é "um absurdo". Para ela, há quem queira jogar "saúde contra educação" para argumentar que, na pandemia, retirar os mínimos consitucionais daria flexibilidade, o que é enganoso.

No ano passado, o ministro da Economia Paulo Guedes defendeu a desvinculação. O governo deu sinal verde para que Márcio Bittar inserisse a proposta na PEC. O senador também é relator do Orçamento de 2021.

Dorinha e os demais deputados ligados à educação frisam ainda que a desvinculação acabaria com a PEC do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), aprovada no ano passado na Câmara e no Senado.

— Não me surpreende a ideia, porque infelizmente não tem valorização para essas áreas. Vamos fazer uma movimentação contrária. Temos que estar muito atentos, mas confio que o Senado, que aprovou por unanimidade o Fundeb, não iria passar um vexame desses.

 A bancada da educação deve se reunir na manhã desta terça-feira com a frente parlamentar da saúde, presidida pela deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC). Os parlamentares aguardam a divulgação do relatório da PEC Emergencial, do senador Márcio Bittar (MDB-AC), para reagir.

— O Ministério da Saúde precisa de mais recursos, assim como estados e municípios. Desvincular eu vejo com muita preocupação, porque nesse ano temos a questão dos procedimentos que ficaram represados em 2020, além do enfrentamento à Covid e os gastos normais do ano — diz Zanotto.

Integrante da bancada da Saúde, Jandira Feghali (PCdoB) afirma que a medida “não tem a menor chance” de ser aprovada na Câmara.

— Essa proposta não passa de forma alguma, nem na bancada do PP (partido do presidente da Casa, Arthur Lira, que é alinhado com o governo). Essa proposta impede o SUS de ser sustentado. Não há um deputado vinculado à luta do SUS que defenda isso. O ideal era o contrário: poder vincular ainda mais recursos para políticas básicas e universais, como Saúde, Educação e Cultura.

Para Bacelar (Podemos-BA), presidente da comissão especial do Fundeb no ano passado, a alteração coloca "em risco a educação de milhares de jovens brasileiros.

— Se aprovada, a PEC vai diminuir os investimentos educacionais, além de inviabilizar a implementação do Fundeb, uma das poucas conquistas educacionais em 2020. O fundo é para educação básica e não para outros fins.

Integrante da Comissão Externa da Educação na Câmara, a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) diz que a proposta é "absurda", já que saúde e educação são duas das áreas mais afetadas com a pandemia. Para ela, o objetivo do governo é "retirar investimentos", e não apenas desvincular os recursos.

Sobre a área da educação, a parlamentar afirma que a retomada das aulas demandará custos. Ela lembra a necessidade de se alternar turmas, investimentos em conectividade para adoção de modelo híbrido, além da necessidade de uma política para frear o aumento da evasão escolar.

— Então, no ano mais difícil para a área da saúde e educação, o governo propõe reduzir recursos? Aí eu falo em reduzir, não só desvincular, porque basta olhar o que está acontecendo com o Ministério da Educação. Quantas denúncias não fizemos de recursos que estão na conta, liberados, mas não são executados, seja por falta de capacidade ou prioridade? Se com gasto mínimo, já temos uma queda tão grande, imagine o que vai acontecer — questiona Tabata.

Ela também cita a invalidação da aprovação do Fundeb caso a proposta vá adiante, a "maior conquista" para área no ano passado.

Senadores também criticam

No Senado, onde a proposta será apreciada esta semana, parlamentares também indicaram resistência ao texto. O líder da minoria, Jean Paul Prates (PT-RS), disse que a minuta do parecer representa um "imenso retrocesso, que atenta contra a promoção de direitos fundamentais e inalienáveis":

— O que a base do governo está fazendo é uma chantagem nefasta. A PEC deveria apenas viabilizar a prorrogação do estado de calamidade, do auxílio emergencial e de outras despesas como do SUS, mas virou um pacote de maldades que não podemos tolerar.

O senador Flávio Arns (Podemos-PR) defendeu uma união a favor da educação. Para ele, a PEC Emergencial "liquida com o FUNDEB" e a Educação Básica.

— É uma proposta escandalosa e que desfaz a grande conquista que obtivemos no ano passado. Temos que nos unir a favor da educação — disse Arns.

A Constituição hoje exige que estados e municípios apliquem ao menos 25% de sua receita resultante de impostos e transferências na manutenção e no desenvolvimento da Educação.

Para o coordenador de Gestão e Políticas Públicas do Insper, André Luiz Marques, há necessidade de se flexibilizar e reduzir verbas carimbadas, mas não da forma que Lira defende. Segundo o especialista, seria "simplório" tirar todos os carimbos sem um debate aprofundado. E ainda haveria o risco de transformar o Poder Executivo em "refém" do Legislativo.

— Hoje mais de 90% do orçamento é carimbado pela Constituição, o que de fato é ruim pela falta de margem de manobra. Mas não se pode simplesmente trocar o carimbo da Constituição pelo do Legislativo, que passaria a indicar o destino dos investimentos. Haveria o risco de o Poder Executivo ficar refém do Legislativo. "Ah, você quer verba para investir em tal área? Então me dá o comando do ministério 'x'"— avaliou.

— Acho que qualquer radicalismo é ruim. Do jeito que está hoje, engessado, está ruim. Mas sem nenhuma vinculação, também seria. Penso que Saúde e Educação, áreas essenciais, deveriam ter o carimbo mantido, mas com uma flexibilização maior. Por exemplo: em vez de 25% do orçamento para Educação e 15% para Saúde, poderia ser 40% para as duas áreas. Porque há cidades que têm maior necessidade de investimento em Saúde, ao passo que gastam recursos de forma ineficaz na Educação apenas para cumprir o mínimo constitucional — completou.

Fonte: O Globo

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