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Especialistas analisam causas da alta abstenção do Enem digital

09/02/2021 16:45

 (crédito: Ana Rayssa/CB/D.A Press)


A falta de informações seguras, infraestrutura e investimento na educação para evitar ausências de inscritos registradas na aplicação do exame impresso tiveram efeito dominó no digital


A primeira aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) Digital teve recorde de abstenções nos dois últimos domingos, mas a causa não se deu apenas pela pandemia. Educadores e entidades estudantis consideram que um efeito dominó que começou na prova impressa teve como fatores a falta de logística, segurança e informações em relação ao novo formato.

Para o doutor em educação histórica Daniel Medeiros, a alta taxa de abstenção do Enem Digital veio como reflexo do exame impresso. Ele argumenta que os estudantes estiveram por quase um ano fora da sala de aula, de maneira presencial, e o medo do contágio pelo coronavírus também influenciou a decisão dos candidatos de não fazerem as provas.

“É uma situação atípica que afetou tanto a prova impressa quanto a experiência da prova digital”, pondera o professor. “Esse resultado não permite avaliar corretamente o modelo, pois sem dúvida, em condições normais, sem um ano fora da escola e sem a pandemia, talvez os números fossem diferentes.”

Em contrapartida, Robson Lucas, professor de geografia do Colégio Sigma não acredita que a abstenção seria diferente, porque faltou por parte do Inep dar mais informação e segurança aos candidatos, pelo modelo ser novo.

"Quando você tem uma modalidade que gera insegurança, isso gera abstenção e falta de interesse”, explica o educador. “O Inep precisa fazer com que chegue a informação da segurança a todos. Ontem, tivemos uma questão repetida do Enem PPL (para pessoas privadas de liberdade), ou seja, temos que ter cuidado para afastar a insegurança.”

Robson Lucas, professor de geografia do Sigma, pondera que o Inep precisa ter mais cuidado e transmitir segurança aos estudantes quanto ao novo modelo

Enem Digital tem questão anulada

O Inep anulou um item da prova de matemática e suas tecnologias da aplicação do Exame 2020 Digital. Como justificativa, a autarquia explicou que a questão havia aparecido na aplicação do Enem para pessoas privadas de liberdade. “O Inep identificou que a referida questão, que apresenta um gráfico cartesiano com a trajetória de um robô, fez parte da edição de 2009 do Enem para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL)/reaplicação”, explicou em nota.


O número da questão muda, de acordo com a cor do caderno:

  • questão 140 do Caderno 5 (Amarelo);
  • questão 148 do Caderno 6 (Cinza);
  • questão 157 do Caderno 7 (Azul);
  • questão 165 do Caderno 8 (Rosa).

    Faltou apoio aos formandos do ensino médio

     

    Iago Montalvão, presidente da UNE, acredita que Enem Digital vai demorar a se tornar uma realidade devido às desigualdades sociais

    Além das abstenções serem um reflexo do exame impresso, Iago Montalvão, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), também destaca outros dois motivos para o projeto-piloto não ter tido tanta adesão: a falta de informações em relação à prova e a ausência de apoio por parte do governo aos estudantes que estavam terminando a educação básica.

    “2020 foi um ano de pandemia em que os estudantes não conseguiram se manter nos estudos. Teve paralisação das aulas e poucas ações do poder público que dessem apoio aos estudantes que estavam se preparando para o Enem”, disse.

    No último domingo (7/2), os participantes resolveram itens de ciências da natureza e suas tecnologias e matemática e suas tecnologias. Ao todo, 93.079 estudantes se inscreveram para a prova digital, mas apenas 26.709 compareceram ao segundo dia, contabilizando 71,3% de abstenção.

    Em 2026, o Enem será totalmente digital

    A ideia do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é deixar de aplicar o Enem em papel a partir de 2026. A transição começou este ano com um projeto-piloto para 50 mil candidatos de 15 capitais brasileiras.

    Em coletiva de imprensa feita no último domingo (7/2), Alexandre Lopes, presidente da autarquia, destacou o início do ciclo de consolidação gradual do modelo digital do Enem e a expansão que será feita gradualmente.

    “Inep e o MEC demonstraram que é possível fazer uma prova digital, em um exame de larga escala, no país. Sabemos que a digitalização das provas é o futuro”, afirmou o presidente. “Esse formato traz uma agilidade muito grande em todos os aspectos que envolvem a aplicação.”

    Prova digital auxiliou candidata com déficit de atenção

     

    Laura Otto, caloura de medicina, tem TDAH e escolheu o Enem digital para poder se concentrar melhor e não precisar marcar gabarito impresso

    A caloura de medicina da Universidade de Alfenas Laura Otto, 18 anos, fez o Enem impresso em 2019 como treineira, mas por ter Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), ela viu no Enem Digital uma boa oportunidade de se sair bem no exame.

    “Tenho TDAH, então sempre foi complicado para eu preencher o gabarito. Então, quando vi a opção digital, que não precisaria de assinalar as temidas bolinhas, fiz minha escolha”, conta a estudante que fez a prova em Belo Horizonte (MG).

    Apesar de sentir que a prova digital facilitou o desempenho, para Laura, há ressalvas: o sistema precisa melhorar quanto à regulagem da luminosidade da tela, que pode prejudicar a performance dos candidatos devido ao cansaço. Além disso, Laura comenta que as medidas de segurança do local de prova foram seguidas.

    Inep precisa melhorar questões técnicas e de segurança

    Apesar das vantagens como uma prova ecologicamente correta e a transformação digital acelerada pela pandemia, Daniel Medeiros acredita que existe muito a ser feito pelo governo, portanto o processo de migrar o Enem impresso para digital “ainda vai ser lento”.

    “Capacidade técnica o Inep demonstrou que tem, falta garantir investimentos para que a rede seja montada e oferecida para os estudantes, pois ultimamente o governo federal tem diminuído os recursos para a educação. É preciso saber se haverá recurso para implementar um modelo como esse em escala nacional”, argumenta.

    Segundo Daniel, também é necessário olhar para o país primeiro, para depois garantir uma migração digital totalmente eficaz, pois muitas escolas vivem em situação precária sem ao menos ter saneamento básico.

    Rozana Barroso, presidente da Ubes, ainda acredita que Enem impresso é a melhor opção para os estudantes

    Rozana Barroso, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), ainda acredita que o melhor modelo é o Enem impresso, devido à realidade vivida pelos estudantes brasileiros.

    “A pandemia expôs as desigualdades de acesso digital dos estudantes brasileiros. O acesso à internet ainda não é uma realidade para milhões de jovens, então para migrar de um modelo impresso para digital teríamos que também diminuir essas desigualdades”, disse. “Não adianta colocar um prazo para que essa mudança seja total em 2026, se em escolas públicas não há computadores.”

    Iago Montalvão, presidente da UNE, também reforça que vai demorar para que o Enem Digital seja implementado com total igualdade de oportunidades, pois o exame impresso já exclui alguns estudantes de garantir uma vaga no ensino superior devido às desigualdades socioeconômicas.

    “Por alguns anos, o Enem Digital não vai ter condições de ser tão justo quanto o Enem físico, que já é uma exclusão. É preciso superar algumas dificuldades e fazer uma mudança social das pessoas terem mais acesso à internet. É muita coisa que envolve não só o Inep, mas o Congresso Nacional e o MEC”, finaliza.

    Fonte: Correio Braziliense

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