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Os novos desafios da universidade, segundo congresso da Unesco para o Ensino Superior

03/06/2022 08:38

Pesquisadores que estiveram no encontro realizado em maio em Barcelona, na Espanha, compartilham apontamentos do evento


Rui Oppermann
Docente da UFRGS, membro da fundação Enlaces e do instituto Kairós

Jorge Audy
Superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc

Em maio ocorreu em Barcelona, na Espanha, a III Conferência Mundial de Educação Superior (CMES) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Esse evento, que ocorre a cada 10 anos, visam definir os rumos da Educação Superior dos países membros da Unesco para o decênio seguinte. A primeira CMES ocorreu em 1998 e a segunda, em 2009, em Paris. Nesta terceira edição, o foco central foi o papel do Ensino Superior como locus privilegiado das reflexões críticas e de encaminhamento de soluções para o desenvolvimento sustentável. Um dos aspectos de convergência ao longo da conferência foi de que as universidades devem tomar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU como uma referência, tanto na primeira (ensino), quanto na segunda (pesquisa) e na terceira missões (extensão e inovação). Entendendo a educação como um bem público e social, um direito fundamental das pessoas e um dever do Estado.

Três documentos foram norteadores da nossa região:

  1. A proposta das instituições públicas e comunitárias nacionais para garantir uma educação pública de qualidade, inclusiva e diversa;
  2. O documento do Espaço Latino-Americano e Caribenho de Educação Superior (Enlaces), com foco nas assimetrias regionais e a integração latino-americana e caribenha;
  3. O documento do Kairós envolvendo o Terceiro Contrato Social da Educação.

Foram destacados os valores que criaram as universidades: o ideal humanista, a emancipação por meio do conhecimento, a liberdade, os direitos humanos, a justiça e a paz. Com relação à gestão universitária: a autonomia, a liberdade acadêmica e a governança. Emerge um senso de urgência a partir da constatação que a vida no planeta está em risco, que indica a necessidade de mudanças urgentes. Devemos refletir sobre o futuro, respeitando a multiculturalidade que nos caracteriza.

Alguns temas centrais que a III CMES propõe como pauta para o decênio, nesse período pós-crise sanitária global, remetem à questão da educação híbrida em um mundo phygital (físico e digital), o impacto das novas tecnologias de aprendizagem e a colaboração entre as instituições e os países. Além disso, a internacionalização solidária, a mobilidade acadêmica, as questões relacionadas com a diversidade, a equidade, a inclusão e permanência fazem com que os desafios sejam cada vez mais complexos, demandando soluções cada vez mais transdisciplinares. As mudanças necessárias requerem conhecimento, criatividade na busca de soluções e coragem para transformar vidas e a sociedade que vivemos. Para melhor e para todos!

Ao contrário das edições anteriores, esta III CMES não gerou um documento final conclusivo aprovado em sessão plenária. A Unesco optou por lançar um plano de ação inicial que será ainda discutido e validado nos próximos meses em eventos e consulta pública. Esse formato causou certa perplexidade em muitos dos participantes.

Ao final da CMES, foram identificadas algumas tendências no plano de ação proposto: a expansão com forte assimetria, a internacionalização, o papel central das novas tecnologias, as mudanças nas fontes de financiamento, os frameworks crescentemente complexos de prestação de contas à sociedade. Identificadas novas ameaças globais interconectadas: mudanças climáticas e ameaças à biodiversidade, persistências de conflitos armados, desigualdades, declínio de valores democráticos e impacto da covid-19.

A Unesco propôs princípios que poderão moldar o futuro do Ensino Superior nos próximos 10 anos:

  1. Integridade e ética;
  2. Inclusão, equidade e diversidade;
  3. Sustentabilidade e responsabilidade social;
  4. Liberdade acadêmica;
  5. Cooperação para a excelência;
  6. Investigação, pensamento crítico, inovação e criatividade.

As missões da universidade foram revisitadas:

  1. Formação de cidadãos globais preparados para atuar na complexidade;
  2. Geração e compartilhamento de conhecimento, ciência aberta e abordagens transdisciplinares;
  3. Engajamento social, desenvolvimento e responsabilidade ética.

A universidade sempre foi uma das mais incríveis forças da sociedade para mudar as pessoas e a própria sociedade. A ES é parte da solução para os desafios que temos no mundo hoje. Mudar é transformar, é evoluir. Para o bem de todos. Este é nosso desafio!

Fonte: GZH Educa~]ao e Trabalho

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