Roda de conversa promove reflexões sobre a formação de professores e os obstáculos impostos às mulheres desde a infância
Professoras e professores preparados para lidar com a curiosidade científica já na educação infantil, mães e pais que presenteiam filhas e filhos com brinquedos sem fazer distinção de gênero. Esses foram dois fatores mencionados como avanços civilizatórios a serem trabalhados no Brasil na Roda de Conversa “Meninas e Mulheres na Ciência”, ocorrida na sede da CAPES/MEC, em Brasília, na quarta-feira, 11 de fevereiro.
Promovido pela Coordenação em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o debate marcou o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. “As mulheres são maioria como estudantes de pós-graduação há mais de uma década. No entanto, quando olhamos para o corpo docente na pós-graduação, os homens são maioria em todas as faixas etárias. É o que chamamos de efeito tesoura e é o desafio que precisamos enfrentar”, disse a presidente da CAPES/MEC, Denise Pires de Carvalho.
As mulheres representam 57% das pessoas tituladas na pós-graduação e 58% das pessoas com bolsa da CAPES/MEC no Brasil. Apesar disso, elas são apenas 43% do corpo docente. Essas informações constam no Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) 2025-2029, que reconhece a necessidade de políticas específicas para ampliar a presença feminina, especialmente em posições de liderança.
Segundo o presidente do CNPq, Olival Freire Jr, o cenário de assimetrias e desigualdades de gênero na ciência “é um desafio civilizatório, que não se pode resolver em uma geração”. Para isso, é preciso olhar para a base, observou a ex-reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão Moura: “Precisamos prestigiar o trabalho dos professores para termos mais pessoas interessadas em cursar licenciaturas. Precisamos ter mudanças na formação básica”.
Nas áreas STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemática), a presença feminina diminui. Em Engenharias, as professoras são só 23% do corpo docente. “Igualdade existe quando tratamos com iguais. Quando não é igual, precisamos de políticas que alavanquem a equidade”, disse a diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do CNPq, Dalila Andrade Oliveira, que citou como exemplo de política uma chamada de R$ 1,6 bilhão do Conselho, referente aos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), em que o quantitativo maior de mulheres em cada equipe serviu como fator de desempate.
A diretora de Análise de Resultados e Soluções Digitais do CNPq, Débora Peres Menezes, que é da área de Física, por sua vez, observou que “o Brasil forma dez professores de Educação Física para cada físico. Quem leciona Ciências na educação básica muitas vezes não tem formação em Ciências Exatas e da Terra, e não consegue dar uma aula dinâmica para as crianças, explicando, por exemplo, o porquê de ser perigoso colocar o dedo na tomada”.
Para o deputado federal e ex-presidente do CNPq, Ricardo Galvão, “é importante termos eventos como uma roda de conversa nesta data porque a contribuição das mulheres na ciência é importantíssima e disso não podemos abrir mão”. A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu, em 2015, o dia 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência para promover uma reflexão sobre a importância da participação feminina em todos os níveis da educação e da carreira científica.
Entender como ensinar ciência e trazer as meninas para as áreas STEM passa, portanto, pela formação de professores da educação básica. E, como bem observou Débora Menezes, “as crianças não aprendem só na escola, aprendem também pelo lúdico”. Denise Pires de Carvalho acrescentou: “Sempre quis brincar de bola junto com meus irmãos. Sempre achei mais divertido que as bonecas. E tive a sorte de crescer em um ambiente em que isso foi possível”. Hoje presidente da CAPES/MEC, ela também foi a primeira reitora mulher da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
Fonte: Redação ASCOM/CAPES
Foto de capa: Márcia Abrahão Moura, Dalila Andrade Oliveira, Denise Pires de Carvalho, Ricardo Galvão e Débora Peres Menezes debateram a presença feminina na ciência (Julia Prado – ASCOM/CAPES)
