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ARTIGO: O valor público das Universidades Comunitárias

As universidades comunitárias ocupam uma posição singular no sistema de educação superior brasileiro. Constituídas pela mobilização da própria sociedade, consolidaram-se como instituições que articulam ensino, pesquisa, extensão, inovação, prestação de serviços e desenvolvimento regional a partir de uma lógica distinta da experimentada pelos modelos público estatal e privado. Sua trajetória demonstra que investir na formação de pessoas, na produção de conhecimento e na capacidade de responder às demandas dos territórios significa fortalecer, simultaneamente, o desenvolvimento econômico, social e cultural das comunidades.

No RS, onde esse modelo adquiriu especial relevância, os últimos anos marcaram um momento muito importante para o reconhecimento institucional das universidades comunitárias. Entre o final de 2023 e o início de 2026, uma série de avanços nas relações com o Estado brasileiro e com o Governo do Estado consolidou um processo construído ao longo de décadas de diálogo, cooperação e demonstração de resultados. Assim, compreende-se que esse período ressaltou o papel estratégico dessas instituições como agentes públicos não estatais comprometidos com o interesse coletivo.

As conquistas não decorreram da reivindicação de privilégios, pelo contrário, são consequência do reconhecimento de uma realidade construída historicamente: as universidades comunitárias prestam serviços públicos importantes em seus territórios, geram conhecimento, promovem inovação, qualificam profissionais e atuam diretamente na solução de desafios que afetam suas regiões.

Conexão com o território
Uma característica histórica das universidades comunitárias é a sua capacidade de identificar demandas locais e transformá-las em soluções concretas. Seja na formação de profissionais, na pesquisa aplicada, na inovação tecnológica ou na extensão universitária, as Comunitárias são instituições em permanente interação com empresas, organizações sociais, prefeituras, cooperativas, hospitais, escolas e governos. Não produzem conhecimento isoladamente, produzem conhecimento comprometido com a transformação da realidade local.

É justamente essa inserção territorial que diferencia o modelo em atuação há décadas. Ao contrário de uma visão concentrada exclusivamente nos grandes centros urbanos, as universidades comunitárias participaram decisivamente da interiorização da educação superior brasileira. Levaram ensino, pesquisa, inovação e extensão para regiões onde, muitas vezes, o acesso à universidade era inexistente. Formaram gerações de profissionais que permaneceram em seus municípios, fortaleceram cadeias produtivas, impulsionaram serviços públicos, criaram empresas, desenvolveram tecnologias e produziram conhecimento diretamente conectado às vocações regionais.

Futuro
Recentemente, o COMUNG também completou 30 anos e a ABRUC, 31 anos de criação, muito embora as Instituições que representam estejam quase todas com mais de 50 anos de atividades. Naturalmente, o reconhecimento jurídico e político não encerra essa trajetória. Ao contrário, inaugura uma nova etapa, de mais trabalho e mais ação em prol das comunidades. As universidades comunitárias precisarão continuar demonstrando, com resultados, que a confiança nelas depositada produz benefícios concretos para a população. Isso significa ampliar a inclusão educacional, fortalecer a pesquisa científica, intensificar a inovação, aprofundar a internacionalização, contribuir para a reconstrução dos territórios afetados pelas mudanças climáticas e formar profissionais capazes de responder aos desafios de uma sociedade em constante transformação.

Chegamos a esse novo momento fortalecidas pelas conquistas legais e, principalmente, pela legitimidade construída junto às comunidades que lhe deram origem, coroando uma história que demonstra que o desenvolvimento regional constrói-se por meio da educação, da ciência, da inovação e do compromisso permanente com as pessoas. As conquistas recentes representam, portanto, uma escolha estratégica feita pelo Estado brasileiro e pelo Rio Grande do Sul de investir em um modelo universitário que nasceu da própria sociedade, que conhece as necessidades de seus territórios e que, ao longo de décadas, provou ser uma das formas mais sólidas e duradouras de promover desenvolvimento, reduzir desigualdades e construir um futuro mais próspero para todos.

Fonte: A Hora (https://abre.ai/artigo-reitora-evania)

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