A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) chega aos 78 anos de história entre as instituições universitárias comunitárias e confessionais brasileiras com resultados financeiros sustentáveis. Em 2025, a PUCRS faturou R$ 1,35 bilhão, com um quadro composto por 7.000 funcionários e um modelo de atuação baseado em quatro eixos: acadêmico, inovação, serviços e saúde.
O desenho dessa estrutura é a base do posicionamento estratégico que norteia a instituição até hoje. Há dez anos, a instituição deu início a um movimento de renovação e reestruturação do plano estratégico, que passou por um segundo momento no período da pandemia da covid.
“A partir deste posicionamento, a universidade conecta um conjunto grande de diretrizes institucionais que dão vez mais evidência da nossa conexão com o que chamamos de quádrupla hélice, a relação entre universidade, empresas, organizações, governo e a sociedade civil organizada”, diz o reitor da PUCRS, Ir. Manuir Mentges. Ele foi convidado do “UOL Líderes”, videocast do UOL Economia.
Os quatro eixos da PUCRS
O eixo acadêmico contempla os cursos de graduação, especialização, mestrado, doutorado e extensão. No pilar de inovação, a universidade possui o Parque Científico Tecnológico, batizado de Tecnopuc, e também o Núcleo de Inovação Tecnológica. No Tecnopuc, trabalham 8 mil pessoas ligadas a 320 empresas e startups, desde empresas internacionais de base tecnológica até startups que nascem por iniciativa de alunos de graduação e de pós-graduação.
Um desafio a ser vencido
Segundo o reitor, o Brasil é a décima economia do mundo e o décimo quarto país em produção científica. “O que é um bom resultado para o nosso país e merece ser celebrado graças a muitas universidades de pesquisa e qualificadas, mas quando nós olhamos para inovação, o Brasil ocupa a posição 52. Quando falamos em competitividade, o Brasil ocupa a posição número 64”, afirma Mentges.
Em sua visão, existe um desafio de país a ser vencido, que é o distanciamento entre a produção científica e aplicação prática dessa inovação. Por isso, diz o reitor, a universidade vem empreendendo muitos esforços em formação continuada de professores, no desenho de um currículo inovador, que seja aberto e conectado ao mercado.
Nesse contexto, a área de serviços ou de negócios da universidade tem o papel de se apropriar da pesquisa científica e transformá-la em solução ou serviço para empresas, governo e com parceiros. “Para que uma tese de doutorado ou uma dissertação de mestrado possa apoiar a resolução de um problema, seja social, econômico, ambiental ou tecnológico que possa apoiar uma empresa ou startup”, afirma o reitor.
O avanço mais acelerado de novas tecnologias traz um desafio para as universidades com relação ao corpo docente e à formação dos alunos. No caso da PUCRS, os currículos são reestruturados a cada 5 anos para se manterem atualizados em linha com as necessidades do mercado de trabalho.
Inteligência artificial
Para o reitor da PUCRS, a IA deve ser usada como uma ferramenta de apoio que vai permitir que as pessoas possam debater, refletir e construir aprendizagem com mais profundidade.
Já as universidades, que têm o desafio da formação continuada, da apropriação tecnológica, do letramento digital do seu quadro docente, o reitor diz que é necessário atentar para o cuidado ético e crítico sobre o uso da IA.
“Nesse momento em que entramos na era da inteligência artificial, é preciso se atentar cada vez mais para a construção de políticas que possam apoiar a construção de percursos formativos que assegurem o processo de aprendizagem. A IA precisa ser regulada em termos de país e nas universidade para ser utilizada como ferramenta para qualificar a aprendizagem e desenvolver o ser humano”, afirma Mentges.
Ensino online
Em maio de 2025, o governo federal publicou a nova política de EaD. Para Mentges, essa mudança foi positiva. “Na minha avaliação, foi algo muito positivo, importante e necessário”, ressalta.
O reitor avalia que existe qualidade na educação superior online, mas é necessário que tenha uma proposta pedagógica pautada em evidências, indicadores, “em dados para que possamos tomar decisões e fazer realmente o acompanhamento desse estudante e do suporte”, diz.
Fonte: UOL
Foto de capa: UOL Economia
