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Tema da redação do Enem é o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira Primeira etapa da prova acontece neste domi

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Primeira etapa da prova aconteceu neste domingo (17)


O tema da redação do Enem 2020, que começou a ser aplicado neste domingo (17), é “o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”, divulgou o ministro da Educação, Milton Ribeiro, pelas redes sociais.

Os candidatos devem elaborar um texto dissertativo e elaborar uma proposta de intervenção sobre o tema. No ano passado, no 1º Enem sob o governo Jair Bolsonaro (sem partido), o tema havia sido “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”.

Além da redação, os candidatos devem fazer neste domingo (17) as provas de linguagens e ciências humanas.

Para professores de cursinho, há alguns anos já se esperava que o tema de saúde mental fosse abordado na redação do Enem. Segundo eles, o assunto é corriqueiro e de fácil acesso aos estudantes, que em geral devem ter bom repertório para escrever sobre o tema.

“A saúde mental foi um tema bastante corriqueiro, especialmente, neste último ano com a pandemia. É uma questão que foi muito falada pela mídia, pelas escolas, nas famílias. Isso é positivo para que o aluno possa falar sobre o tema”, disse Rodrigo Noronha, professor de redação do COC.

Maria Catarina Bózio, coordenadora de redação do Poliedro, lembra que discussões importantes sobre o estigma das doenças mentais aconteceram recentemente e podem ser apresentados pelos alunos na redação.

“Houve discussões sobre a volta do eletrochoque como forma de tratamento, internação compulsória, como evitar o discurso capacitistas. O aluno atento tem bom repertório.”

Maria Aparecida Custódio, professora de redação do Objetivo, disse que o tema segue o padrão de anos anteriores. “Envolve tanto a atuação da sociedade quanto do Estado no tocante à defesa da dignidade daqueles que são acometidos por qualquer forma de transtornos mentais.”

Para Milton Costa, professor do cursinho Oficina, a surpresa com o tema é a discussão sobre estigmas com doenças mentais ser levantada logo após o próprio Ministério da Educação ter defendido ações que reforçam esses preconceitos.

“Interessante que o tema apareça justamente quando o próprio governo propôs ações discriminatórias contra crianças com deficiência, querendo que sejam excluídas em escolas especiais. Felizmente, isso não ocorreu porque a medida foi rechaçada pela justiça.” ?

Em setembro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou decreto estipulando uma nova Política Nacional de Educação Especial, que incentiva o atendimento de alunos com deficiência em escolas especiais, em direção contrária aos princípios de inclusão em escolas regulares.

Os portões foram fechados às 13h e os candidatos começam a fazer as provas às 13h30 e têm até às 19h para escrever o texto e responder às 90 questões.

Os participantes só podem deixar a sala de provas, em definitivo, duas horas após o início da aplicação, às 15h30. Por causa da pandemia, os estudantes não podem tirar a máscara durante a aplicação.

No próximo domingo (24) é a vez das provas de matemática e ciências da natureza. Nesta edição do Enem, o Inep recebeu 5,7 milhões de inscritos.

Após uma semana de disputas judiciais sobre o adiamento do Enem por causa da pandemia, o exame tem início com suspensão em todo o estado do Amazonas e em dois municípios de Rondônia, segundo o governo Jair Bolsonaro (sem partido).

Ao todo, 58 municípios não terão a realização das provas neste domingo e no próximo (24). Em Rondônia, decretos das cidades de Espigão D’Oeste e Rolim de Moura impediram a realização do exame como forma de conter o avanço do coronavírus —as duas cidades acumulam 3.832 inscritos.

No Amazonas, não farão o exame 160.548 inscritos em 56 dos 62 municípios do estado. Em seis cidades amazonenses não havia previsão de aplicação da prova.

Fonte: Folha de S. Paulo

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